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terça-feira, 26 de julho de 2011

A FÍSICA QUÂNTICA E A EMERGÊNCIA DE NOVOS PARADIGMAS" ESSE TEXTO É MARAVILHOSO PRA QUEM QUER ENTENDER UM POUCO MAIS DE FÍSICA !



                                                           
por Jacqueline Rocha Amaral

A FÍSICA QUÂNTICA E A EMERGÊNCIA DE NOVOS PARADIGMAS
Rosa Maria Viana Doutora em Ciências Humanas (PUC). Docente na Universidade Salgado de Oliveira (Universo), membro do Instituto de Educação para a Paz. rosaviana@yahoo.com.br Solange M. O. Magalhães Doutora em Educação (UFG), Psicóloga, Docente da Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Goiás. solufg@hotmail.com Resumo:

Este artigo traz uma reflexão sobre a concepção de um universo padronizado pelo paradigma cartesiano. Propõe-se a superação dessa concepção, unicamente fragmentária e separatista, afirmando que ela só começa a se processar com as questões colocadas pela física quântica que aponta a dissipação da noção de partes separadas no nível das partículas, portanto da realidade.



As descobertas dessa realidade quântica descortinam um mundo onde a noção de fragmentação deixa de existir, revelando um universo de relações que têm implicações em todas as áreas da ciência. Defendemos a inclusão dos conceitos assegurados pela física quântica como requisito para a compreensão e implantação de um novo paradigma para o campo das ciências humanas, em especial à Educação, como um meio ampliador do conhecimento do ser humano e da noção de realidade.


                                          

Essa possibilidade, sem dúvida expande e inclui, sem negar as dimensões abarcadas pela física clássica, a visão de mundo promovida pela educação, tornando-a mais ampla e complexa. “Conseguir observar uma coisa não depende da teoria que se usa. È a teoria que decide o que pode ser observado” (Albert Einstein). Feyrabend (1989) fundamentando uma visão metodológica, a mais informal possível, do procedimento científico, indica que a ciência aproxima-se do mito, muito mais do que uma filosofia científica se inclinaria a admitir.
A ciência é um das muitas formas de pensamento desenvolvidas pelo homem e não necessariamente a melhor. Chama a atenção, é ruidosa e imprudente, mas só inerentemente superior aos olhos daqueles que já se haviam decidido favoravelmente a certa ideologia ou que já a tenham aceito, sem querer examinar suas conveniências e limitações.
Como a aceitação e a rejeição de ideologias devem caber ao indivíduo, segue-se que a separação entre o Estado e a Igreja há de ser complementada por uma separação entre o Estado e a ciência, a mais recente, mais agressiva e mais dogmática instituição. Tal separação será, talvez, a única forma de alcançarmos a humanidade de que somos capazes, mas que ainda não concretizamos.
Essa concepção de um universo formado por unidades isoladas desenvolve uma noção de partes separadas que interagem umas com as outras por conexões locais que respeitam as leis usuais da separação espacial, limitadas pela velocidade da luz, noções de tempo e espaço. A superação dessa concepção, unicamente fragmentária e separatista, só começa a se processar com as questões colocadas pela física quântica, que aponta a dissipação da noção de partes separadas no nível das partículas.
As descobertas dessa realidade quântica descortinam um mundo onde a noção de objeto separado deixa de existir, revelando um universo de relações que têm implicações em todas as áreas da ciência. Essas relações, no mundo quântico, apontam para um nível mais amplo de conexões, que vai além das conexões locais entre elementos regidos pelas leis da física clássica, para abarcar outras não-locais que são conexões instantâneas com o universo como um todo.
Essas conexões não-locais constituem a essência da realidade quântica e descortinam uma dimensão relacional que vai além da noção do universo apresentado pela física clássica e suas leis. Admitindo a existência desse mundo quântico, regido por leis mais amplas que apontam para a superação dos limites espaciais e físicos, e incorporam elementos que não se limitam à velocidade da luz e à noção de um tempo linear objetivo, os fenômenos investigados por várias áreas do conhecimento encontram respaldo em um quadro teórico bastante sólido.

                                                       
Com o surgimento da física quântica, os eventos, principalmente aqueles relacionados a psicologia deixam de pertencer ao mundo metafísico e passam a ser vistos como parte do mundo natural, esse mundo relacional que é regido por leis de um outro nível de realidade que a ciência mais avançada do último século vem descortinando trazendo uma visão mais ampla e complexa de sua natureza.
Os eventos psicológicos ou parapsicológicos como: emoção, cognição, inteletualidade, ou telepatia, clarividência, precognição e psicocinese, indicam uma natureza humana multidimensional e multisensorial, que possibilita o acesso a um nível de realidade quântica regido por conexões não locais instantâneas, que atuam fora das leis do espaço-tempo conhecidas pela física clássica.
Essa noção mais complexa e ampliada do ser vem impondo a necessidade de uma revisão na forma de se abordar os processos atuais de formação e educação, para incluir esta visão de mundo relacional como demonstra Maria Cândida Moraes (1997) em seu livro Paradigma Educacional Emergente. Quando pensamos a educação sob a luz dos paradigmas emergentes, entendemos que a superação dos padrões de entendimento dual, da noção de partes separadas e isoladas como modelo de compreensão do mundo, possam ser superados através dos preceitos da física quântica, capaz de estabelecer uma visão integradora de todas as partes.
Essa visão de integração apresentada pelo conjunto de conceitos quânticos de expansão e visão sistêmica para que a leitura possa levar ao reconhecimento de que, à luz da física quântica, pode ajudar a transcender o modelo tradicional teórico respaldado na concepção mecânica do mundo, fazendo com que a Educação possa realmente assumir a natureza ampla e complexa do ser humano.
De acordo com Larry Dosse (1992), a revolução conceitual na física moderna prenuncia uma iminente revolução em todas as ciências e uma profunda transformação de nossa visão de mundo e de nossos valores. Para o autor, na física do século XX, que concebe o universo não é mais percebido como uma máquina, apesar do universo ser constituído por várias peças distintas, mas se apresenta como um todo indivisível e harmonioso; uma rede de relações dinâmicas que incluem o observador humano e sua consciência de uma maneira essencial.
O espaço e o tempo não são mais absolutos nem estão em dimensões separadas. Ambos estão íntima e inseparavelmente ligados e formam um continuum quadridimensional chamado espaço-tempo. As partículas subatômicas são interconexões em uma rede de acontecimentos, feixes de energia ou tipos de atividade. Quando as observamos, nunca vemos nenhuma substância material; aquilo que observamos são padrões dinâmicos continuamente se transformando um no outro – uma perpétua dança de energia.

                                                        

REFERENCIAIS PARA UMA NOVA COMPREENSÃO DE MUNDO

Se é no auge da noite que o dia começa, como nos diz a sabedoria antiga, então podemos entender o processo de ampliação da noção de realidade que vem norteando a noção de mundo e de “ser humano”, está no seu início.
Esta transformação da maneira de pensar se dá como processo de mudança, dialético, contraditório e combinado – os velhos modos de pensar e agir ainda são hegemônicos e, portanto, predominam como referência na abordagem do ser e do mundo, mas as novas tendências já se apresentam como o novo modelo teórico em constituição.
Nesse processo dialético de transformação, os novos e velhos modo de ver e entender o mundo, o real vão conviver no contexto social, gerando campos novos de pesquisa e ação, constituindo aos poucos novas abordagem de mundo, ganhando status de legalidade e, por fim, tornando-se hegemônicos na vida social. É um longo processo que começa a ganhar impulso. E como todo processo de transformação dialética, necessita de pequenas e grandes ações que acumulem experiências em quantidade suficiente para promover e constituir uma nova qualidade, um novo patamar de referência e compreensão da realidade.
E muitas e muitas experiências, estudos e ações referenciadas num mundo quântico, numa abordagem transdisciplinar, enraizadas em valores universais que direcionem esse novo campo do conhecimento para a construção de um mundo melhor, que faça referência a paz, a solidariedade e a amorosidade. Essa mudança no padrão de referência e comportamento social e individual acerca da natureza do mundo e do ser humano pode ser sentida nas experiências centradas na busca de novos valores, de uma nova ética, de um novo modo de interagir com a natureza e de organizar a sociedade.
Esse movimento se faz em vários pontos do planeta, tanto em nível teórico quanto prático-instrumental, ampliando o espaço de mudança e aproximando o momento da consolidação de um “novo pensar” e agir no mundo.
Isso significa uma nova maneira de perceber o ser humano e a realidade, ela se aperfeiçoa na pesquisa no campo das ciências humanas, e se aprofunda na pesquisa do mundo concreto sutil, no mundo das energias, nesse ambiente vibratório sentido e referenciado pelas investigações e estudos do mundo quântico, que desvenda um desconcertante nível de realidade, impondo desafios para a geração atual e descortinando um novo patamar na aventura do conhecimento.
Para Barbara Ivanova, pesquisadora russa esse momento exige a interação entre a ciência e a ética: o instrumento fundamental para investigação do Universo é o Homem. (...) Ao estudar e explicar as capacidades do Homem, não podemos esquecer o principal aspecto: as leis éticas. Qualquer infração delas traz graves conseqüências. O método puramente tecnológico leva a um impasse, e a Psicologia deve ser controlada pela educação ética...
Nenhuma ciência pode existir sem as leis morais, especialmente uma ciência que penetra nas profundas camadas do Micro e Macro Cosmos (IVANOVA, 1990, p.105). A física quântica expande a noção de mundo A noção de um mundo concreto, construído e entendido na perspectiva clássica newtoniana de mundo físico reduzível a partículas, está se ampliando para um outro referencial de compreensão da realidade fundamentada na física quântica e na teoria dos campos de energia.
Na sociedade ocidental, o processo de constituição de uma consciência mais ampliada começa a ser formulado a partir de uma nova visão científica da realidade, que altera radicalmente o entendimento do Universo baseado na física newtoniana,(1) trazida pelos avanços da física nos séculos XIX e XX. O modelo mecanicista entendeu o universo como um imenso sistema mecânico, funcionando com base em leis físicas imutáveis, e articulado em infinitamente pequenas porções de matéria, como constitutivos básicos de um único mundo possível, concreto, material, visível.

                                                       
                                            
Nesta concepção, tempo e espaço eram tidos como absolutos, os fenômenos físicos decorrentes de uma relação de causa e efeito, e tudo podia ser descrito objetivamente. Neste quadro de referência teórica, construímos nossa compreensão do mundo e estruturamos nossa vida de modo linear, referindo nossas experiências em função do espaço tridimensional e do tempo linear absoluto.
O que não se encaixa neste modelo deixamos de lado, nos recusamos a encarar, a sequer considerar como fenômeno digno de atenção, e ficamos atados à percepção autorizada do real. Ubiratan D’Ambrósio,2 citando Leibnitz, diz que “nós vemos o que somos capazes de compreender”, e diferencia a realidade complexa multidimensional da verdade da razão, que se constrói baseada somente no conhecimento científico.
E mesmo esse conhecimento, autorizado pela razão, leva tempo para incorporar informações e visões de seus próprios campos de saber, como analisa Kuhn (1979) e como estamos vendo ocorrer com a própria física quântica. 3 Como a construção do conhecimento é a construção da realidade, temos que olhar para esse campo de investigação do microcosmo e perceber no que ele pode vir a expandir nossa noção de realidade.
Para isso, o esquema apresentado por Barbara Brenann (1990) pode-se apontar alguns pontos básicos para a formulação de uma nova visão de um mundo, baseada em questões centrais trazidas pela investigação no campo da física: o conceito de “campos de forças” explica a interação entre partículas como fenômeno eletromagnético. Para Brenann, a formulação de Faraday e Maxwell, que apontaram este fenômeno no século XIX, veio a se contrapor à explicação dada por Newton, de que a interação das partículas positivas e negativas se devia a uma atração entre massas.
Na nova teoria este fenômeno se deve a um campo de força, no qual cada carga cria uma perturbação ou uma condição no espaço à sua volta de modo que a outra carga sente uma força e interage com ela. Deste modo nasce um conceito de universo cheio de campos criadores de forças que interagem uns com os outros, não tangíveis pelos nossos cinco sentidos habituais, e que possibilitam a explicação para a nossa capacidade de influir uns nos outros à distância, através de meios que não a fala e a visão.
Esse campo de energia que interpenetra cada ser humano e possibilita novas formas de comunicação foi detectado também por estudiosos dos fenômenos psicológicos e parapsicológicos, no decorrer desse dois últimos séculos. O que manifestamos no cotidiano de nossa vida no campo das interações pessoais, quando falamos de empatia, quando nos sentimos atraídos por alguém, ou repelidos por outros, pode ser explicado pela harmonia ou pela desarmonia de nossas interações de campo.
Sentimentos e emoções se manifestam neste campo, tão materializados quanto uma pedra no caminho. Bentov, em seu instigante trabalho de pesquisa sobre a consciência numa visão quântica, mostra como temos hoje métodos e instrumentos sensíveis e sofisticados para a medição dos campos magnéticos do ser humano, evidenciando que ao ocorrer a mais ínfima alteração em qualquer um dos sistemas do corpo, todos os demais sistemas são, de algum modo, igualmente afetados.
Não podemos continuar concebendo nosso corpo como uma coleção de órgãos estanques, atirados dentro de um saco onde um especialista pode mexer, para consertar um deles, sem afetar os demais. Assim como é o corpo, também é a sociedade, e todo o planeta, o sistema solar e , na verdade, todo o cosmos. Somos parte de um sistema altamente integrado, no sentido mais amplo dessa expressão (BENTOV, 1984, p.84).
Einstein e a noção de Tempo e Espaço A teoria da relatividade de Einstein, no início do século XX, jogou por terra toda a noção de tempo linear e espaço tridimensional sobre a qual se baseiam até hoje nossas descrições dos fenômenos naturais. Nesta nova formulação o espaço e o tempo não são entidades separadas, mas formam ambos um contínuo tetradimensional, o espaço-tempo.
Deixa de existir um fluxo universal de tempo, que não é mais linear nem absoluto, é relativo. Bentov (1984) buscando a compreensão dos fenômenos mentais se depara com o mistério do tempo e sua relação com o espaço. E formula um duplo conceito de tempo: Tempo objetivo – o tempo do relógio compartilhado socialmente, o que divide o dia em 24 horas, minutos e segundos.
O tempo “fatiado” em porções de igual espessura; Tempo subjetivo – o tempo que não é sentido com esta uniformidade de “fatias” é um tempo em profundidade. O tempo demonstrado por Einstein na teoria da relatividade: quando dois observadores em movimentos diferentes em relação um ao outro, constatam que seus relógios funcionam em ritmos, em tempos diferentes um do outro.
Este tempo vai além até mesmo da teoria da relatividade, que se mantém no limite da velocidade da luz, para ser discutido na pesquisa dos “Taquions” – partículas hipotéticas que se deslocam em velocidades superiores a da luz. É o tempo experenciado nos “estados alterados de consciência” hoje tão divulgados pela pesquisa transpessoal, em suas diferentes abordagens.
Nessas experiências/vivências transpessoais de alteração da consciência, o tempo objetivo prossegue no seu ritmo, não há uma modificação no tempo do relógio – o que acontece é que neste tempo subjetivo existe uma expansão através do espaço. Em outras palavras “uma expansão da consciência leva a uma expansão no espaço.
Isso pode ocorrer a velocidades inferiores ou superiores a da luz” (BENTOV, 1984, p.101) Para Bentov (1984, p. 101), à medida que o tempo subjetivo se alonga, o ser que experiencia esse tempo – o observador expande-se dentro do seu espaço subjetivo / tridimensional. Isto significa que, em suas palavras “o observador ao viajar nesse espaço está na verdade movendo-se através do tempo objetivo que é o mesmo para ele e para outras pessoas, tanto para o passado como para o futuro”.


Essa experiência de vivenciar tempos diferenciados é bem conhecida da vida dos místicos, que através de práticas espirituais, conscientemente ou não, provocam uma alteração de consciência, podendo atingir a mais avançada experiência espiritual, vai além do intelecto; experiência de iluminação, na qual Deus e o místico que vive a experiência são um só, em unidade, além da noção de tempo ou de espaço.
ssas experiências com o tempo vieram alargar a estrutura limitada da realidade como a vivemos, e também explicar as experiências de visão de futuro ou de passado, que muitas vezes captamos e nem sequer registramos como informação válida de ser considerada. Noção de realidade O surgimento de pelo menos dois níveis de Realidade diferentes no estudo dos sistemas naturais é um acontecimento de capital importância na história do conhecimento.
Ele pode nos levar a repensar nossa vida individual e social, a fazer uma nova leitura dos conhecimentos antigos, a explorar de outro modo o conhecimento de nós mesmos, aqui e agora” (NICOLESCU, 2001, p.32). Como podemos ver, as pesquisas dos fenômenos quânticos apontam para a relatividade do tempo e espaço que permite presenciar eventos fora da construção social da realidade – cada cultura tem a sua estrutura normal do aqui e agora.
E isto impõe, segundo Bentov (1984), a pergunta fundamental: Em que consiste a Realidade? E ele mesmo aponta para a relação entre diferentes níveis de realidade: uma realidade sólida – muito nossa conhecida, onde vivemos a maior parte do nosso tempo e processo consciente, (não só do nosso tempo, mas do registro consciente de nossas experiências) e outras realidades incomuns – que não registramos pelo nível do pensamento consciente, mas por meios mais sutis.
Estas realidades incomuns podem ser percebidas de modo a se ter experiências gravadas no nível consciente – prática da meditação e a visualização ativa – além de possibilitar novas bases para o entendimento da realidade aparente, com sua formulação do contínuo “espaço-tempo”, Einstein estabeleceu também que a matéria e a energia são intercambiáveis, sendo a massa uma forma de energia.
Só estas teorias já bastariam para desestruturar a visão de mundo sólido legado por Newton. No entanto, como demonstra Kuhn (1997), não é tão simples construir novas referências teóricas e metodológicas num mundo de paradigmas tão bem estabelecidos. Mas o processo de questionamento aberto com a produção científica de Einstein continuou com outras teorias e hipóteses que foram sendo elaboradas a partir da física do mundo subatômico, que desde as primeiras décadas do século XX, vem apresentando uma estranha realidade cheia de paradoxos e confundindo os físicos, como relata Danah Zohar (1992).
Teia e probabilidades: o universo interativo da visão sistêmica Segundo Capra (1990), as “drásticas mudanças de conceitos e idéias” que ocorrem na física provocaram uma modificação na visão do mundo passando-se da “concepção mecanicista de Descarte e Newton para uma visão holística e ecológica” que não foi facilmente aceita, já que a “estranha e inesperada realidade” exposta pela exploração do mundo atômico e subatômico desafiava qualquer descrição coerente.
Capra diz que em seu esforço de apreensão dessa nova realidade, os cientistas tornaram-se irremediavelmente conscientes de que seus conceitos básicos, sua linguagem e todo seu modo de pensar eram inadequados para descrever fenômenos atômicos. Seus problemas não eram meramente intelectuais, remontavam ao significado de uma intensa crise emocional e poderíamos dizer, até mesmo existencial.
Foi preciso muito tempo para que superassem essa crise, mas, no final, foram recompensados por profundos insights sobre a natureza da matéria e sua relação com a mente humana. A partir do observado no campo da física, Capra sugere a necessidade de adoção de um novo “paradigma” de “uma nova visão da realidade”, que oriente a vida social neste ”mundo globalmente interligado, no qual os fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são todos interdependentes” (CAPRA, 1990, p. 56)

                                             
A concepção sistêmica, conforme propõe Capra, tida como base do paradigma holístico que vem se desenvolvendo a partir da física moderna, considera que todos os fenômenos e eventos se interligam e se inter-relacionam de uma forma global, considera que cada elemento de um campo é como um evento, que reflete e contém todas as dimensões do campo (conforme a metáfora do holograma).
É uma visão na qual o todo e cada uma das suas sinergias estão estreitamente ligados em interações constantes e paradoxais[3] (NICOLESCU, 2001). A partir da investigação física do mundo sub-atômico, os estudiosos estruturam a teoria do universo interativo que se manifesta nas realidades do nível micro. Nestas formulações alguns pontos se destacam como básicos: o princípio de incerteza e a noção de complementaridade e a conexão instantânea entre eventos, que apontam para um mundo plasmático, interativo.
Neste sentido, para descrever um fenômeno é preciso empregar-se dois conceitos – o de onda e o de partícula que se completam dentro de um princípio de incerteza e complementaridade, sendo ambos necessários para explicar o fenômeno. A forma como o fenômeno se manifesta na observação vai depender do observador. A cada instante um deles pode se apresentar – onda ou partícula, como desejar a interação vivida.
Esta formulação questiona a noção de objetividade e neutralidade em toda e qualquer esfera de vida humana. Alteramos o estado do ser, de qualquer ser, de qualquer manifestação no universo. Zohar (1992), o princípio da incerteza de Bohr – concorda com a visão de Heisenberg aponta que o fundamento mesmo da realidade é um labirinto móvel e indeterminado de probabilidade – uma densidade de probabilidade “ou uma realidade implícita” que pode se manifestar numa realidade explícita.

                                          
Nesse mundo subatômico a matéria é mutável e não existe em lugares definidos, mas mostra “tendências” para existir. As partículas podem ser ondas, mas ondas de probabilidade, de interconexões. Para Bohm (1991), isso indica que as partes estão em conexão imediata, da qual suas relações dinâmicas dependem, de maneira irredutível, assim como do estado de todo o sistema, e deste modo somos levados a uma nova noção de completude indivisa, que nega a idéia clássica de que o mundo é analisável em partes que existem separadas e independentes umas das outras.
A mudança conceitual do universo trazida pela física quântica, faz com que conceitos como partícula elementar, substância material ou objeto isolado, deixem de ter significado. O universo passa a ser visto como uma teia dinâmica de modelos inseparáveis de energia, como um todo dinâmico inseparável. E sendo uma teia desta natureza, nada existe (logicamente) parecido com uma parte.

                                           
Assim sendo, não somos partes separadas de um todo, somos um todo: um padrão na teia de relações dinâmicas do universo (MORIN, 2000; 2003). Outro elemento identificado nas pesquisas da física quântica que esclarece o entendimento desta teia dinâmica diz respeito à ligação/interconexão instantânea entre eventos identificados em alguns experimentos.
Segundo Bárbara Brenan (1990), o teorema de Bell sustenta o conceito de que as partículas subatômicas estão ligadas de um modo que ultrapassa o espaço e o tempo, de sorte que o que acontece numa partícula interessa a outras e repercute nas outras. O efeito, imediato, dessa inter-relação não precisa de tempo para ser transmitido, é instantâneo, ultrapassando o limite da velocidade da luz.
Também o experimento de Einstein-Podoleky-Rosen apontou para a existência de conexões não-locais, de conexões sutis de partículas distantes, demonstrando a integração formativa de um sistema, e o efeito do que acontece em uma partícula no campo formativo de outras partículas, apontando para um novo entendimento da estrutura e formação de um sistema.
Desta forma existe uma ligação imediata instaurada entre todas as coisas, fenômeno que Brenann (1995) denomina de “coerência superluminar”, uma coerência imediata universal. Esta visão aplicada à nossa vida cotidiana e, conseqüentemente a Educação, dá uma dimensão nunca imaginada para a ação individual ou coletiva.
Tudo que fazemos, sentimos, pensamos, tem efeito imediato na estrutura universal. Enfim, depois desta reflexão, defendemos a inclusão dos conceitos assegurados pela física quântica como requisito para a compreensão e implantação de um novo paradigma para o campo das ciências humanas, em especial a Educação, como um meio ampliador do conhecimento do ser humano e da noção de realidade, o que sem dúvida expande e inclui, sem negar as dimensões abarcadas pela física clássica, possibilitando uma visão de mundo mais ampla e complexa.
Sabemos que chegar a uma mudança conceitual metodológica dessa natureza exige tempo e abertura, mas sabemos também que as concepções de mundo e de realidade se transformam no decorrer da história humana, mesmo com toda a resistência do pensamento dominante.

                               

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENTOV, Itzhak. O Pêndulo Cósmico. São Paulo : Cultrix,1984 BOHM em WEBER. Diálogos com Sábio e Mestres. São Paulo: Cultrix, 1991. BOHR, N. Física Atômica e Conhecimento Humano . Rio de Janeiro: Contraponto, 1998. BRENNAN, BARBARA ANN. Luz Emergente – a jornada da cura pessoal. São Paulo: Cultrix , 1995. CAPRA, Fritjof e David Steindl – Rast. Com Thomas Matus. Pertencendo ao Universo de explorações nas fronteiras da ciência e da espiritualidade. S. Paulo:Cultrix/Amana, 1994. CAPRA, Fritjof. Ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 1990. DOSSEY, Larry. O Reencontro com a alma. São Paulo: Cultrix, 1992. FEYERABEND, PAUL. Contra o Método. Francisco Alves, Rio de Janeiro : Editora Unesp,1989. IVANOVA, BARBARA. O Cálice Dourado. São Paulo: Aquariana, 1990. KUNH, Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 1997. MORAES, Maria Cândida. Paradigma Educacional Emergente. Campinas/SP: Papirus, 1997. MORIN, E. A Cabeça Bem Feita. 3ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro; tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya; revisão técnica de Edgard de Assis Carvalho. – 2. ed. – São Paulo: Cortez; Brasília, DF : UNESCO, 2000. NICOLESCU, Basarab. Ciência, Sentido e Evolução – a cosmologia de Jacob Boheme. S. Paulo: Attar Editorial, 2001a. NICOLESCU, B. O Manifesto da Transdisciplinaridade. 2ª ed. São Paulo: Triom, 2001b. ZOHAR, D. O Ser Quântico. Sao Paulo Best Seller, 1992. -------------------------------------------------------------------------------- (1) Entre os vários autores que analisam essa questão podem ser vistos: Capra, D.Bohm, Amit Goswami, Peter Russel, Walter de Souza, D.Zohar e outros. 2 Em palestra no Campus 21 da Fundação Peirópolis, Uberaba, julho de 2000. 3 Ver Kuhn, T. A Estrutura das revoluções científicas. S. Paulo: Perspectiva, 1979 [3] Carta Magna da Universidade Holística Internacional, Paris. --------------------------------------------------------------------------------

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